O Fórum Urbano, o “BIP/ZIP dos BIP/ZIPs”, tem dois “presentes para a cidade” e não vai ficar por aqui

“Isto não é uma sessão de encerramento do Fórum Urbano. É uma sessão de início de relação, pegando no que é um projeto de BIP/ZIP, alargando-o”. Foi assim que Paula Marques, vereadora da Habitação e Desenvolvimento Local da Câmara Municipal de Lisboa, arrancou a jornada de ontem em torno do Desenvolvimento Local no Palácio Baldaya, em Benfica.

Perante uma sala à pinha foram apresentados os dois resultados mais tangíveis do BIP/ZIP “Fórum Urbano”: uma Plataforma online de Partilha e um Manual de Desenvolvimento Local em forma de jogo de ideias, “um presente para as organizações da cidade e a nível nacional”, como Gonçalo Folgado, da Locals Approach, referiu.

A Locals Approach, associado da Rede DLBC Lisboa, foi a entidade promotora do chamado “BIP/ZIP dos BIZ/ZIPs”, que pretendeu analisar e sistematizar as atividades e metodologias aplicadas nos 231 projetos BIP/ZIP que “energizaram” Lisboa entre 2011 a 2016.

De extremo interesse para conhecermos melhor a cidade e a sua “energia”, este “set de ferramentas” preparado ao longo deste projeto é “um mundo por desbravar”. Um projeto que se quer de continuidade “para além do período de sustentabilidade”, a atender nas palavras da vereadora, que “trouxe um desafio” à Locals assente no “espírito de trabalho em rede”:  “Falta-nos uma app, um instrumento que seja de acesso muito fácil, que possa mostrar a qualquer pessoa a progressão dos projetos de desenvolvimento local da cidade de Lisboa, juntando trabalho que a Câmara está a fazer de infografia da marca BIP/ZIP com o ISCTE e com o que já está feito com o Fórum Urbano”.

Da parte da manhã houve três painéis – abertos ao público – compostos de investigadores, professores, um avaliador do programa BIP/ZIP e representantes do poder local a partilharem  História e “estórias”, as suas ideias e experiências sobre processos participativos, “fazer cidade” e o encurtamento de ciclos económicos nos territórios de intervenção prioritária.

Do lado das associações a trabalhar no terreno, intervieram vários associados da Rede DLBC Lisboa: a Rés do Chão, os Amigos do Bairro 2 de Maio e o Clube Intercultural Europeu. Coube ainda à Rede DLBC Lisboa, através do presidente Rui Franco, explicar como é que um projeto focado numa Moeda Local pode beneficiar os territórios BIP/ZIP e mitigar a tensão e desequilíbrios entre visitantes e moradores da cidade.

À tarde, os presentes dividiram-se em grupos num workshop à volta do Manual de Desenvolvimento Local, convertido num jogo coletivo de mesa. Os participantes puderam, durante cerca de hora e meia, descobrir atividades, metodologias e objetivos com base em projetos BIP/ZIP já realizados.

A partir de cinco unidades de intervenção territorial de Lisboa (Norte, Centro, Centro histórico, Oriental e Ocidental), os diferentes grupos puderam esboçar o desenho de novas estratégias para responder a desafios lançados por 15 objetivos de desenvolvimento sustentável da Agenda 2030 e 3 objetivos específicos para a cidade.

A sessão fechou com chave de ouro com a arquiteta Helena Roseta, na qualidade de instigadora do programa BIP/ZIP, a lembrar como tudo começou, buscando ao baú histórias vividas em bairros da cidade, incluindo episódios caricatos na difícil arte de aproximação entre cidadãos e políticos. Pediu longa vida ao programa, com os devidos ajustes e correções, identificando o SAAL como fonte inspiradora desta iniciativa de participação cívica emanada do poder local.

 

 

 

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